segunda-feira, 28 de março de 2011

TEOLOGIA DA GRAÇA

TEOLOGIA DA GRAÇA INTRODUÇÃO Indiscutivelmente, somos filhos da graça, abarcados e alicerçados na Graça Salvadora de Cristo. Isto é o que nos faz e nos torna diferentes de todo o resto. Enquanto olhamos a comunidade judaica vivendo sobre a lei, temos a clareza e certeza de que a obra Redentora de Cristo foi suficiente e eficiente para nos envolver com a Soberana Graça do Deus todo poderoso. Mas a grande pergunta é: Entendemos verdadeiramente o que significa estar debaixo da Graça, sabemos realmente a amplitude de tamanha benesse? Ao olharmos para a Teologia da Graça nossa proposta não é e jamais será esgotar tal assunto, mas sim pincelar tal benesse a nós dada mesmo não merecendo tal favor vindo da parte do Altíssimo. Com isto esperamos que o caro leitor possa refletir e ser desafiado não só a buscar mais sobre a Graça como também a glorificar a Deus por ter sido abarcado por tamanha benção vinda do Céu, manifestação esta que nos faz a cada dia amá-lo e honrá-lo com todo o nosso coração. Boa Leitura. 1) Definindo o que é Graça: Quando olhamos para o Novo Testamento, faz se necessário entendermos que “Graça” faz toda a diferença em relação ao Antigo Testamento. Ela é uma palavra chave para entendermos o Novo Testamento e tudo o que nele está escrito. O Deus exposto ali é o Deus da Graça (1 Pe. 5.10). Tudo é regido pela Graça. Tanto que a igreja primitiva bem como seus apóstolos ao entenderem sua importância, foi mudado até a sua forma de comunicação inicial. Graça e Paz! (2 Jo 3); (2 Pe 3.18); (2 Co 12.9). Ao entendermos isto, veremos que a salvação tão regida e anunciada o tempo todo no Novo Testamento ela aponta para a Graça de Deus. (Ef.2.5,8). Podemos afirmar que a Graça veio aos homens através de, e em Cristo. A Graça é a única chave segundo J.I.Parker capaz de abrir o Novo Testamento. Não entendê-la é deixar de penetrar em seu significado. Daí vermos tantas pessoas, comunidades, igrejas usarem a palavra Graça sem nenhum conhecimento do que ela realmente representa na esfera espiritual e muito menos o que abrange a esfera salvífica da obra de Cristo. Redescobrir o verdadeiro significado de Graça é ao mesmo tempo ser envolvido pelo amor incondicional de Deus e também ter o entendimento de que a Graça é muito mais envolvente e especial do que pensamos e pregamos. 2) A Natureza da Graça: Graça (Charis) é o favor imerecido de Deus. É o amor de Deus que não merecemos, mas ele nos concede. Isto quando olhamos para o Novo Testamento. No Velho Testamento, ela foi usada para traduzir “Chen” que tem como significado o “favor” que um suplicante “acha” aos olhos de um superior, de quem não pode reivindicar tratamento favorável, como se lhe fosse um direito. (Gn33.8,15; 34.11; 47.25). Chen, significa bondade e graciosidade em geral ou seja, não há qualquer relação ou ligação particular entre as partes envolvidas. O que podemos entender é que pelo fato de não ter nenhuma ligação particular ela a Graça também não pode ser censurada caso ela não seja possível. A Graça parte de Deus e tão somente, não é uma via de duas mãos. Não parte de relacionamento, nem de cumplicidade, ela parte de Deus e tão somente Dele. Por se tratar de uma benesse gratuita, aquele que a concede não está obrigado a demonstrá-la. Vejamos exemplos de pessoas que alcançaram a Graça de Deus sem tê-la merecida, mas simplesmente foi concedida porque Deus aos Seus olhos resolveu ser gracioso. (Gn 6.8; Êx 33.12,13,16,17). Outra palavra do Antigo Testamento é chesed de Deus geralmente traduzido por misericórdia e compaixão. Uma das melhores versões é “amor constante”. Por isso podemos afirmar que a chesed de Deus é soberana, eficaz e incondicional além de gratuita. Packer define Graça como, “a idéia de que Deus age por bondade espontânea para salvar os pecadores: Deus amando o não-amável, fazendo uma aliança com eles, perdoando-lhes os pecados, aceitando-os, revelando-se a eles, comovendo-os a uma resposta, levando-os finalmente ao pleno conhecimento e gozo de Si mesmo e derrubando todos os obstáculos que surgem a cada estágio ao cumprimento desse propósito. A graça é o amor eletivo mais o amor pactuante, uma escolha gratuita, resultando numa obra soberana”. O que as igrejas, pastores, obreiros e principalmente os membros de todas as denominações precisam redescobrir é que a Graça salva o pecador, liberta-o de todo o mal, ela faz com que a desesperança dê lugar a esperança, ela nos permite conhecer verdadeiramente o Criador. E quando olhamos para o Novo Testamento, para os seus autores, percebemos nas suas mensagens, cartas que todos em comum acordo apontam para esta verdade. Ser envolvido pela Graça é ter a certeza de que Deus achou favor em nós. E isto é maravilhoso, especial, envolvente e totalmente independente da nossa vontade. Parte de Deus e tão somente Dele. Muitos têm confundido o termo Graça como uma energia impessoal ligada automaticamente pela oração e pelas ordenanças. Esquecemos constantemente que a graça está na igreja, mas que esta não a controla. Independe da igreja sua ação. Por mais que a igreja queira ou pleiteie, a Graça não depende dela, jamais, pois, ela é o amor gratuito de Deus é Deus quem escolhe, as mensagens proclamam a realidade da graça e as orações dos crentes a invocam, mas, só Deus usa sua graça e permitir que os seres humanos se beneficiem dela. Paulo na carta aos 2º Coríntios cap. 9:15, diz “Graças a Deus pelo seu dom inefável”! Podemos dizer que no Grego seria um dom desprendido, solto e como está no aoristo é Deus numa ação simples e perfeita. Isto torna a Graça ainda mais maravilhosa. No Inglês a tradução pode ser inexpressível, indescritível. Por que um Deus tão justo, reto, puro se desprende e abre mão da sua maior riqueza que é o seu único Filhos para que ao morrer no calvário por pessoas egoístas, idólatras, impura, vis, e acima de tudo distante da grandeza e soberania de Deus por que então ele solta numa ação perfeita para que pudéssemos ser alcançados pela Sua maravilhosa Graça! Esta é a pergunta que tanto os autores dos evangelhos como o próprio Paulo fazia e às vezes era demais tão compreensão! Daí a idéia de Maravilhosa graça, Graça admirável, Amor tão admirável! Um Deus tão perfeito tão grande e insondável desprender-se do seu filho e a partir do sacrifício Dele na cruz nos trazer a graça a sua maravilhosa e única graça! Nenhuma outra ação, nenhuma outra maravilha seja humana seja natural será capaz de superar o suceder tamanha graça destinada a nós pecadores por um Deus que não é pecado. Isto faz da graça algo muito mas muito especial! 3) Por que a Graça é tão especial? Quando nos debruçamos na Palavra de Deus logo percebemos o porquê ela é tão especial para todo cristão. Paulo na carta aos Romanos já aponta para sua importância ao afimar: “....mas onde abundou o pecado superabundou a graça;a fim de que, como pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça (Cristo o justo) para a vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso Senhor (Rm.5.20,21)”. Foi a partir da ação de um justo, reto e perfeito homem Cristo-homem que não teve pecado e pagou com a própria vida sua vida para que nós pudéssemos ter acesso e conhecimento a graça. Isto é algo maravilhoso e especial. Sua expiação, crucificação e ressurreição nos trouxeram da morte para a vida. Aqui está a maravilha e o porque a graça é tão especial! É esta união que nos faz novas criaturas, propriedade exclusiva de Deus e tão somente Dele! E somente quando cremos, ou seja, através da fé em Cristo que ela torna-se possível. (1 Co.1.18). Talvez você pergunte: E no Velho Testamento também havia a graça?! Na verdade toda a ação veterotestamentária apontava para o futuro mesmo obscuramente, para o salvador que haveria de vir! (Mc. 14:24; Rm 3:24). Tudo desde a comunhão até o pacto apontava para o salvador que viria. Mas ainda dentro da premissa de que a graça é especial o que mais podemos detectar como algo que a torna mais especial e indescritível, inexplicável? A Graça segundo Paulo ela é especial, rica porque ela redime, regenera, elege e preserva! Vejamos em que isto implica para nós seres humanos. Paulo afirma em (Ef 1.7) “temos a redenção, pelo sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Podemos afirmar que o preço pago por nós foi caríssimo, preço este que nos livra da morte da nossa culpa. Somos libertos daquilo que somos; culpados! Somente a cruz de Cristo segundo Paulo é capaz de abarcar tanto nossa realidade como ser ao mesmo tempo a medida final para nossa redenção completa. E qual a maior prova desta verdade? “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. (Rm. 5.8) Quando falamos de regeneração queremos dizer na verdade que o ser humano é vivificado juntamente com Cristo. Paulo afirma que a regeneração é o complemento necessário da redenção, porque, segundo ele, sem ela, não pode haver fé no redentor não podendo assim obter nenhum benefício advindo da sua morte! Por isso ele afirma que a partir da regeneração nasce em nossos corações a fé. Precisamos entender neste ponto que estamos mortos espirituais que é a nossa condição natural e por isso por nós mesmos somos incapazes, impotentes para nos voltarmos para Cristo em arrependimento e fé. Daí a importância em sermos regenerados, pois uma vez a fé nascendo em nossos corações, nos voltarmos para Cristo em arrependimento e fé. Mas não nos gabemos de tal ação pois Paulo alerta claramente quanto a regeneração e o ato de nos voltarmos para Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”. (Ef. 2.8) Portanto, a regeneração é fruto da graça, e esta por sua vez não depende de nós, mas sim de Deus. (At. 18.27). Ela é uma iniciativa de Deus e quando participamos desta co-ressurreição, afirmamos que em nada contribuímos e que a nossa fé emana tão somente da ressurreição espiritual juntamente com Cristo. O terceiro ponto que Paulo aponta como riqueza, como especial da Graça é a Eleição. No Novo testamento afirmamos que a eleição nada mais é do que uma escolha divina eterna e incondicional, Ele escolhe ofensores, culpados, e pela sua presciência os redime e regenera tornando-os justificados (Rm8.30) e assim levados à glória (Ef. 1.3-12). Esta escolha foi feita em Cristo (Ef. 1.4). É a escolha de pecadores por Deus para serem salvos a partir da união com Cristo e ao mesmo tempo Cristo-homem foi escolhido para se tornar e ser o nosso salvador! (1 Pe.1.20). Cristo foi manifestado por amor de nós! Não podemos confundir e pensar que a eleição é um mérito humano regido por obras porque ela não é, mas sim inteiramente pela graça e por isso não pode ser tratada como uma resposta de Deus a qualquer esforço do parte do homem (Rm 11.6; 2 Tm1.9). “que nos salvou e nos chamou com santa vocação, não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”. Portanto a Eleição parte do coração de Deus e é algo especial da graça e não mérito do homem. É Deus quem elege, é Deus quem determina ele é quem dá e isto já mesmo antes dos tempos eternos. Por último, Paulo afirma que a graça é especial porque, ela preserva. Vejo a preservação dos seus como algo muito carinhoso e cuidadoso de Deus para conosco. É o cuidado de Deus em Cristo, guardando aqueles a quem Ele uniu a Cristo mediante a fé, por meio do Espírito Santo. “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”. (Fp. 1.6). Paulo ao escrever ele tinha a certeza de que a obra seria completa e única. Deus não deixaria jamais os Seus perecerem. Tanto é que o próprio Paulo deixa claro sua visão quanto a preservação quando afirma que “o Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo para o seu reino celestial (Ef. 4.18). Se olharmos para a promessa de Jesus de que suas ovelhas conhecem a sua voz e a seguem e que todas as que ele conhece ele dá a vida eterna e elas jamais perecerão e ninguém poderá as arrebatar das suas mãos. (Jo 10.27,28 e Jo 6.38-40 e Jo 17.11-24), entenderemos que sua promessa é maravilhosa e completa em todos os seus aspectos. Por isso a tranqüilidade de Paulo em afirmar que Deus é poderoso para guardar o seu depósito até aquele dia. ( 2 Tm 1.12). Portanto essa é o resumo da graça, do qual o povo de Deus é herdeiro: amor eletivo e amor pactuante, amor remidor, amor vivificador, amor que salva e amor que preserva. A Graça cumpre a promessa da nova Aliança. “Nas sua mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, pois para com as suas iniqüidades usarei de misericórdia, e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Hb. 8.10ss., citado Jr 31.33.34). CONCLUSÃO Viver debaixo da graça é viver com a certeza de que somos amados incondicionalmente. Um amor pactuante que não depende de nós, não partiu de nós, foi uma ação exclusiva e apaixonante de Deus para conosco. Ser abarcado por tamanha benesse é ser privilegiado, pois o Senhor do Universo e sustentador de tudo e de todos se agraciou de nós dando seu filho como resposta a condenação a nós sentenciada pelo pecado e nos resgatando e nos justificando para sermos livres e alcançados pela graça que absolve e nos faz novas criaturas em Cristo Jesus. Por isto se a lei condena a Graça liberta! Se o pecado mata a Graça vivifica, se éramos indignos tornamo-nos dignos por meio de Cristo. Se estávamos mortos nos nossos delitos e pecados, agora estamos vivos e vivos para Deus! E se merecíamos a condenação eterna com a obra do calvário passamos a ter em função de crermos estamos aptos para a vida eterna e abundante por meio da Graça aleluia! Isto sim é viver debaixo da Graça e ser filho da Graça.

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